A aguardada Reforma Tributária está saindo do papel e promete ser uma das transformações mais significativas no ambiente de negócios brasileiro das últimas décadas. Para o setor de varejo, a mudança é profunda e representa tanto desafios quanto oportunidades. Entender o que está por vir e como se preparar é crucial para garantir a conformidade e a competitividade.
Neste artigo, vamos desvendar os principais pontos da reforma, seu impacto direto no varejo e por que a tecnologia, especialmente o seu sistema de gestão (ERP), é a peça-chave para uma transição bem-sucedida.
O que é a Reforma Tributária e o que muda na prática?
De forma simplificada, a Reforma Tributária sobre o consumo visa unificar e simplificar a cobrança de impostos no Brasil, substituindo um sistema complexo e oneroso por um modelo mais transparente e eficiente. A principal mudança é a extinção de cinco tributos (PIS, Cofins, IPI, ICMS e ISS) e a criação do Imposto sobre Valor Agregado (IVA) no formato “dual”.
O IVA dual brasileiro será composto por:
- CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços): de competência federal, unificará o PIS, a Cofins e o IPI.
- IBS (Imposto sobre Bens e Serviços): de competência estadual e municipal, unificará o ICMS e o ISS.
Além deles, será criado o Imposto Seletivo (IS), apelidado de “imposto do pecado”, que incidirá sobre produtos e serviços prejudiciais à saúde e ao meio ambiente, como cigarros e bebidas alcoólicas.
As três grandes premissas do novo modelo
- Tributação no Destino: o imposto será devido no estado e município onde o produto ou serviço é consumido, e não onde é produzido. Essa mudança acaba com a chamada “guerra fiscal” entre os estados.
- Não Cumulatividade Plena: acaba o “imposto sobre imposto”. Em cada etapa da cadeia, a empresa poderá se creditar do imposto pago na etapa anterior, garantindo que a tributação incida apenas sobre o valor agregado.
- Base Ampla e Alíquotas Uniformes: a regra geral será a aplicação de uma alíquota padrão para todos os produtos e serviços, com algumas exceções previstas em lei, como saúde, educação e produtos da nova Cesta Básica Nacional.
Por que a Reforma é tão importante para o Varejo?
O varejo, por estar na ponta da cadeia de consumo, sofrerá os impactos de maneira direta e imediata. As mudanças afetarão desde a formação de preços e o fluxo de caixa até o relacionamento com o consumidor.
Principais impactos para o varejista
- Simplificação e transparência de preços: com o fim do efeito cascata, o cálculo do custo real dos produtos fica mais claro e permite precificação mais estratégica.
- Gestão de créditos tributários: a não cumulatividade plena exige controle rigoroso de todos os impostos pagos na compra de mercadorias e insumos.
- Fim da Substituição Tributária (ST): a complexa sistemática da ST será gradualmente extinta, simplificando operações, mas exigindo adaptação no planejamento de fluxo de caixa.
- Mecanismo de Cashback: devolução de parte do imposto pago para famílias de baixa renda. O varejista terá papel operacional fundamental — a identificação via CPF na nota será necessária para viabilizar o cashback.
O cronograma da transição: prepare-se
- 2026: início da fase de testes, com alíquota de 0,9% para a CBS e 0,1% para o IBS.
- 2027: a CBS entra em vigor plenamente, extinguindo o PIS e a Cofins. O IPI é zerado (com exceções) e o Imposto Seletivo passa a vigorar.
- 2029 a 2032: transição gradual do ICMS e ISS para o IBS. As alíquotas antigas são reduzidas e a do IBS aumenta progressivamente.
- 2033: extinção total dos impostos antigos e plena vigência do novo sistema com IBS e CBS.
A importância do ERP e da tecnologia na adaptação
Diante de mudanças tão profundas, tentar adaptar-se com planilhas ou sistemas obsoletos é receita para o fracasso. Um ERP robusto e preparado será o maior aliado do varejista nesta jornada.
Como um ERP preparado fará a diferença
- Novos motores de cálculo para IBS, CBS e IS, com a lógica do cálculo “por fora”.
- Gestão de créditos automática e precisa, garantindo o aproveitamento integral dos valores.
- Emissão de documentos fiscais (NF-e e NFC-e) atualizada com os novos campos e layouts.
- Adaptação do PDV para identificação do consumidor via CPF, viabilizando o cashback.
- Split Payment: integração com sistemas de pagamento para recolhimento no momento da transação.
- Conformidade fiscal e obrigações acessórias geradas corretamente, mitigando riscos de multas.
A hora de agir é agora. A transição para o novo sistema tributário já começou. Varejistas que deixarem para se adaptar na última hora enfrentarão interrupções operacionais, riscos fiscais e perda de competitividade.
Investir na atualização tecnológica e contar com um parceiro como a Presence Tecnologia, que entende as dores e as necessidades do varejo, não é mais um diferencial — é uma condição essencial para navegar com segurança por essa transformação.


